top of page

Mitos e verdades sobre flacidez facial

  • Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
  • há 5 dias
  • 5 min de leitura
mitos e verdades

A flacidez facial ainda é cercada por explicações simplificadas, promessas de tratamentos definitivos e comparações que nem sempre consideram a anatomia de cada rosto.


O envelhecimento não acontece apenas na superfície. Pele, gordura, ligamentos, músculos e estrutura óssea mudam ao longo do tempo, em ritmos diferentes. Por isso, compreender o que é mito e o que é verdade ajuda a criar expectativas mais realistas e a escolher tratamentos com maior segurança.


“Flacidez é apenas falta de colágeno”

Mito.


A diminuição do colágeno é uma parte importante do envelhecimento cutâneo, mas não explica sozinha todas as mudanças percebidas no rosto.


Com o passar dos anos, também podem ocorrer alterações nos compartimentos de gordura, afrouxamento das estruturas de sustentação, mudanças musculares e remodelação dos ossos da face. O resultado visível é a combinação dessas diferentes camadas. [1,2]


Por isso, estimular colágeno pode melhorar firmeza e qualidade da pele, mas nem sempre corrige perda de volume, deslocamento dos tecidos ou redução do suporte estrutural.

Entenda melhor no capítulo sobre tipos de flacidez facial.


“Quanto mais cedo tratar, melhor”

Verdade, com ressalvas.


Medidas preventivas e intervenções realizadas nas fases iniciais podem ajudar a preservar a qualidade da pele e exigir abordagens menos intensas do que aquelas utilizadas em uma flacidez já avançada. [3]


Isso não significa que toda pessoa jovem precise iniciar procedimentos.


A decisão deve considerar sinais reais de envelhecimento, anatomia, hábitos, histórico clínico e benefício esperado. A idade cronológica, sozinha, não determina a necessidade de tratamento.


Prevenir também envolve fotoproteção, não fumar, preservar a massa muscular, manter alimentação adequada e controlar os fatores que aceleram a flacidez facial.


“Bioestimulador substitui lifting facial”

Mito.


Os bioestimuladores podem aumentar a produção de colágeno e melhorar gradualmente a firmeza e a qualidade da pele.


Entretanto, eles não removem excesso de pele nem reposicionam profundamente os tecidos da mesma forma que uma cirurgia. A literatura os descreve como opções ou complementos dentro do rejuvenescimento não cirúrgico, e não como equivalentes universais ao lifting facial. [4]


Quando existe flacidez leve ou moderada, podem produzir uma melhora interessante. Nos casos em que há excesso importante de pele e deslocamento acentuado dos tecidos, suas possibilidades são mais limitadas.


“Preenchimento corrige toda flacidez”

Mito.


O ácido hialurônico pode restaurar suporte e volume em regiões específicas, como maçãs do rosto, têmporas, queixo e contorno mandibular.


Porém, preenchimento não trata isoladamente a perda de elasticidade da pele, alterações musculares ou excesso de tecido.


Além disso, tentar compensar toda a flacidez adicionando volume pode deixar o rosto pesado, alterar suas proporções e comprometer a naturalidade. O tratamento precisa respeitar a anatomia, a quantidade necessária e o comportamento de cada produto nos tecidos. [5,6]


O objetivo não é preencher todas as áreas que envelheceram, mas identificar onde a reposição de suporte realmente oferece benefício.


“A tecnologia ideal depende da camada que envelheceu”

Verdade.


Lasers, radiofrequências, ultrassons e outras tecnologias possuem mecanismos e profundidades de atuação diferentes.


Algumas abordagens atuam principalmente na superfície e na textura da pele. Outras alcançam a derme ou planos mais profundos, estimulando remodelação de colágeno e contração tecidual. [7]


Por isso, não existe um equipamento ideal para todos os tipos de flacidez.


A escolha deve partir do diagnóstico da flacidez facial, considerando a camada alterada, o grau de queda, a qualidade da pele e as características individuais do paciente, e não apenas a popularidade da tecnologia.


“Após um grande emagrecimento, a flacidez pode piorar”

Verdade.


A gordura facial participa do volume e da sustentação aparente do rosto. Quando ocorre uma perda importante de peso, especialmente de maneira rápida, os compartimentos de gordura também podem diminuir.


A pele nem sempre consegue se adaptar imediatamente ao novo volume. Com isso, podem aparecer bochechas mais vazias, sulcos mais profundos, perda de definição mandibular e maior flacidez no rosto e no pescoço. [8]


O emagrecimento não cria necessariamente todas essas alterações. Muitas vezes, ele torna mais evidente uma flacidez que já estava se desenvolvendo, mas permanecia parcialmente disfarçada pelo volume facial.


“Existe um tratamento definitivo para a flacidez”

Mito.


O envelhecimento é um processo biológico contínuo.


Os tratamentos podem estimular colágeno, melhorar a qualidade da pele, restaurar suporte, reduzir determinadas forças musculares ou reposicionar tecidos. Entretanto, nenhum procedimento interrompe definitivamente as mudanças que continuarão acontecendo com o tempo.


A duração dos resultados varia conforme a técnica, a anatomia, os hábitos e a velocidade de envelhecimento de cada pessoa.


Por isso, o planejamento pode incluir acompanhamento e manutenção, sem que isso signifique repetir automaticamente o mesmo procedimento ou tratar em intervalos fixos.


“Cirurgia é sempre a última opção”

Parcialmente verdadeiro.


Muitas pessoas com flacidez leve ou moderada conseguem bons resultados com tratamentos não cirúrgicos ou minimamente invasivos.


Porém, quando existe excesso significativo de pele e deslocamento acentuado dos tecidos, a cirurgia pode oferecer uma correção mais previsível e compatível com o problema anatômico. O lifting facial atua justamente sobre a flacidez da pele e a descida dos planos profundos. [9]


Nessas situações, insistir em sucessivos tratamentos não cirúrgicos pode aumentar custos, prolongar a insatisfação e ainda produzir um resultado inferior ao esperado.


A cirurgia não deve ser banalizada, pois envolve riscos, cicatrizes e recuperação. Mas também não deve ser tratada como um fracasso das outras técnicas. Em determinados casos, ela simplesmente representa a indicação mais coerente.


Afinal, qual é a verdade sobre a flacidez facial?

A principal verdade é que não existe uma resposta única para todos os rostos.


A flacidez pode surgir de alterações em diferentes camadas e apresentar intensidades variadas. Um tratamento excelente para uma pessoa pode ser insuficiente ou inadequado para outra.


É por isso que a escolha não deve começar pelo procedimento, pelo aparelho ou pela tendência do momento. Ela começa pela avaliação da anatomia e pela identificação das estruturas que realmente precisam ser tratadas.



Conheça todos os capítulos da Biblioteca Científica VM Dermatologia.


Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.


Referências científicas

  1. Cotofana S, Fratila AA, Schenck TL, Redka-Swoboda W, Zilinsky I, Pavicic T. The anatomy of the aging face: a review. Facial Plastic Surgery. 2016;32(3):253-260. DOI: 10.1055/s-0036-1582234.

  2. Swift A, Liew S, Weinkle S, Garcia JK, Silberberg MB. The facial aging process from the “inside out”. Aesthetic Surgery Journal. 2021;41(10):1107-1119. DOI: 10.1093/asj/sjaa339.

  3. Landau M, Fagien S. Science of hyaluronic acid beyond filling: fibroblasts and their response to the extracellular matrix. Plastic and Reconstructive Surgery. 2015;136(5 Suppl):188S-195S. DOI: 10.1097/PRS.0000000000001823.

  4. Fisher SM, Borab Z, Weir D, Rohrich RJ. The emerging role of biostimulators as an adjunct in facial rejuvenation: a systematic review. Aesthetic Surgery Journal. 2024;44(6):NP391-NP404. DOI: 10.1093/asj/sjae029.

  5. Go BC, Frost AS, Friedman O. Using injectable fillers for chin and jawline rejuvenation. Facial Plastic Surgery Clinics of North America. 2023;31(3):433-443. DOI: 10.1016/j.fsc.2023.02.008.

  6. Peng CX, Liu A, Zhou W, et al. Facial overfilling: causes, consequences and management strategies. Clinical, Cosmetic and Investigational Dermatology. 2025;18:1687-1702.

  7. Zachem A, Dover JS, Arndt KA. Energy-based skin rejuvenation: a review of mechanisms and thermal effects. Journal of Cosmetic and Laser Therapy. 2024.

  8. Jafar AB, Louie P, Blundell AR, et al. Soft tissue facial changes following massive weight loss. Aesthetic Surgery Journal. 2025;45(2):123-132. DOI: 10.1093/asj/sjae213.

  9. Jacono AA, Bryant LM, Ahmedli NN. Comparing the safety and efficacy of superficial musculoaponeurotic system and deep-plane facelift techniques: a systematic review and meta-analysis. Aesthetic Surgery Journal. 2025.

Comentários


Clínica Valéria Marcondes

CRM 50283 - RQE 50890

11 99459 2338  |  11 99459 3134  | 11 3861 5911

Formulário de inscrição

Obrigada!

  • Instagram - Cinza Círculo
  • headphone
  • Spotify - círculo cinza
  • YouTube - círculo cinza

Clínica Valéria Marcondes ©2022

bottom of page