Como escolho o tratamento para a flacidez facial?
- Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
- há 2 dias
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Quando uma paciente chega ao consultório com queixa de flacidez, eu não começo escolhendo um aparelho ou um produto.
Começo pelo diagnóstico.
Como vimos no capítulo anterior, sobre o diagnóstico da flacidez facial, o envelhecimento pode envolver pele, gordura, músculos, ligamentos e estrutura óssea.
Cada tratamento atua em uma profundidade e possui um mecanismo de ação diferente. Por isso, o procedimento mais conhecido, mais novo ou mais potente nem sempre é o mais adequado para aquele rosto.
Primeiro: qual estrutura precisa ser tratada?
A escolha começa pela identificação do componente predominante.
Quando o problema está principalmente na pele
Pele fina, rugas, perda de elasticidade e alterações de textura indicam maior participação da flacidez cutânea.
Nesses casos, podem ser considerados cuidados dermatológicos, tecnologias baseadas em energia, lasers, ultrassom, radiofrequência, microagulhamento ou tratamentos injetáveis que estimulem a remodelação do colágeno.
A escolha depende da espessura da pele, do grau de flacidez, do fototipo, da presença de manchas e da capacidade de recuperação de cada paciente.
Quando existe alteração muscular
A avaliação em movimento pode revelar contração excessiva ou desequilíbrio entre músculos elevadores e depressores.
Quando indicado, o tratamento da atividade muscular pode reduzir vetores de tração descendente e melhorar determinados contornos.
Esse tipo de abordagem não corrige sozinho a perda de volume, o excesso de pele ou a redução do suporte ósseo.
Quando existe perda de volume ou suporte
O envelhecimento também pode provocar esvaziamento das têmporas, achatamento das maçãs do rosto, aprofundamento dos sulcos e redução da projeção do queixo.
Nessas situações, podem ser considerados tratamentos voltados à reposição de volume, ao suporte estrutural ou à estimulação de colágeno.
O objetivo não deve ser simplesmente preencher todas as áreas que parecem vazias. É necessário respeitar anatomia, proporções e movimentação facial para evitar peso excessivo ou alteração da identidade.
Quando há queda importante dos tecidos
Tecnologias e procedimentos minimamente invasivos podem melhorar a qualidade da pele e produzir algum grau de contração tecidual, especialmente em casos leves ou moderados.
Entretanto, eles possuem limitações.
Quando existe excesso significativo de pele, deslocamento profundo dos tecidos ou flacidez avançada no rosto e no pescoço, a cirurgia pode oferecer uma correção mais compatível com o problema anatômico.
Nesses casos, encaminhar a paciente para avaliação com um cirurgião plástico pode ser a conduta mais responsável.
A intensidade da flacidez também importa
Duas pacientes podem apresentar o mesmo tipo de flacidez, mas em graus diferentes.
Uma alteração inicial pode responder bem a medidas preventivas e tratamentos menos invasivos. Uma alteração avançada pode exigir uma combinação de técnicas ou uma abordagem cirúrgica.
Por isso, a indicação depende de fatores como:
intensidade da flacidez;
regiões comprometidas;
qualidade da pele;
idade e condições de saúde;
tratamentos anteriores;
disponibilidade para recuperação;
expectativa de resultado;
necessidade de manutenção.
Não existe uma fronteira perfeita entre flacidez leve, moderada e avançada. Essa classificação faz parte do julgamento clínico.
Nem sempre um único tratamento é suficiente
Como diferentes camadas envelhecem ao mesmo tempo, pode ser necessário combinar abordagens.
Uma paciente pode precisar melhorar a qualidade da pele, reduzir uma força muscular descendente e recuperar parte do suporte estrutural. Tratar apenas uma dessas alterações pode produzir um resultado parcial.
O planejamento combinado não significa realizar muitos procedimentos de uma só vez.
As técnicas podem ser distribuídas em etapas, permitindo avaliar a resposta dos tecidos e ajustar o plano ao longo do tempo. A sequência também importa, porque determinados tratamentos podem interferir na indicação ou no resultado de outros.
O objetivo é combinar apenas o que possui uma função clara para aquela paciente.
Segurança também orienta a escolha
Antes de indicar um tratamento, avalio o histórico médico, os medicamentos utilizados, procedimentos prévios e possíveis contraindicações.
Também considero:
tendência a manchas;
doenças autoimunes ou inflamatórias;
alterações de coagulação;
gestação ou amamentação;
presença de infecções;
preenchimentos ou materiais permanentes anteriores;
cicatrização inadequada;
perda recente de peso;
expectativas incompatíveis com o procedimento.
Todo tratamento médico possui riscos. Mesmo procedimentos considerados minimamente invasivos podem provocar efeitos adversos e complicações.
A escolha responsável não considera apenas o resultado possível. Ela também compara riscos, benefícios, limitações e alternativas.
O tempo disponível para recuperação faz diferença
Alguns tratamentos permitem retorno rápido à rotina. Outros podem provocar vermelhidão, inchaço, descamação, hematomas ou necessidade de cuidados por alguns dias.
Procedimentos cirúrgicos envolvem recuperação mais longa e cuidados específicos.
Por isso, o plano precisa ser compatível com a rotina da paciente. Um tratamento tecnicamente indicado pode não ser a melhor escolha naquele momento se o período de recuperação for incompatível com suas necessidades.
Qual resultado a paciente espera?
Durante a consulta, procuro entender o que realmente incomoda a paciente.
Às vezes, a queixa descrita como flacidez está relacionada principalmente à perda de contorno, a uma olheira profunda, à textura da pele ou ao esvaziamento facial.
Também é importante diferenciar o desejo de melhorar um sinal específico da expectativa de transformar completamente o rosto.
Tratamentos não cirúrgicos costumam produzir resultados graduais e variáveis. Eles não reproduzem os efeitos de uma cirurgia e não interrompem o envelhecimento.
Estabelecer expectativas realistas faz parte do tratamento.
O melhor tratamento é o que faz sentido para aquele rosto
Não existe uma tecnologia universalmente superior nem um protocolo que funcione da mesma forma para todas as pessoas.
A escolha depende do diagnóstico, da anatomia, do grau de flacidez, da segurança e dos objetivos de cada paciente.
Em alguns casos, o plano pode priorizar a pele. Em outros, o suporte estrutural, a movimentação muscular ou a redução do excesso de tecido.
Também existem situações em que a melhor decisão é não realizar determinado procedimento.
Por isso, eu não escolho o tratamento apenas pelo nome da técnica. Escolho a partir da pergunta mais importante:
Qual estrutura está provocando essa alteração e qual abordagem consegue tratá-la com segurança, proporcionalidade e naturalidade?
Relembre também os tipos de flacidez facial e os fatores que aceleram a flacidez.
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Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.
Referências científicas
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