Como é feito o diagnóstico da flacidez facial?
- Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
- há 7 dias
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O diagnóstico da flacidez facial não consiste apenas em observar se existe “pele sobrando”. É necessário identificar quais estruturas perderam firmeza, volume ou sustentação e entender como essas alterações se combinam em cada pessoa.
Como vimos no capítulo sobre tipos de flacidez facial, a perda de sustentação pode envolver a pele, os ligamentos, os músculos, os compartimentos de gordura e os ossos da face.
Por isso, a avaliação diagnóstica é principalmente clínica e deve considerar o rosto como um conjunto.
O diagnóstico começa pela história do paciente
Antes do exame físico, é importante compreender quando as mudanças começaram e quais fatores podem ter contribuído para sua evolução.
Durante a consulta, podem ser investigados:
histórico de exposição solar;
tabagismo;
menopausa e outras alterações hormonais;
perda recente ou importante de peso;
doenças que provocam perda de massa muscular;
qualidade do sono e alimentação;
tratamentos estéticos anteriores;
uso de medicamentos;
percepção e expectativas do paciente.
Essas informações ajudam a relacionar os sinais observados aos fatores que aceleram a flacidez facial.
Também permitem identificar situações que exigem investigação clínica antes de qualquer procedimento, como perda de peso sem explicação, fraqueza muscular ou alterações recentes e assimétricas da face.
Avaliação do rosto em repouso e em movimento
A face deve ser examinada de frente, de perfil e em posições oblíquas. A avaliação também precisa acontecer tanto em repouso quanto durante movimentos como sorrir, falar, contrair o pescoço e movimentar a boca.
Durante o exame, podem ser observados:
espessura, textura e elasticidade da pele;
presença de rugas finas ou profundas;
posição das bochechas e dos compartimentos de gordura;
profundidade dos sulcos;
definição da mandíbula;
presença de jowls;
projeção do queixo e das maçãs do rosto;
atividade dos músculos faciais;
bandas e flacidez na região do pescoço;
diferenças entre os dois lados da face.
A palpação e a movimentação delicada dos tecidos também ajudam a perceber sua espessura, mobilidade e grau de sustentação.
A análise deve ser feita por camadas
Um mesmo sinal visível pode ter causas diferentes.
O aprofundamento do sulco nasolabial, por exemplo, pode estar relacionado ao deslocamento dos tecidos, à perda de gordura profunda, à redução do suporte ósseo ou à combinação desses fatores.
Por isso, o diagnóstico procura responder quatro perguntas principais:
Como está a qualidade da pele?
São avaliadas firmeza, espessura, elasticidade, textura, rugas e sinais de dano solar.
Houve deslocamento dos tecidos?
A posição das bochechas, dos sulcos e do contorno mandibular pode indicar perda de eficiência das estruturas de sustentação.
Existe alteração muscular?
A movimentação facial permite observar perda de tônus, contração excessiva ou desequilíbrio entre músculos elevadores e depressores.
Houve perda de suporte estrutural?
Esvaziamento das têmporas, achatamento das maçãs do rosto e redução da projeção do queixo podem indicar mudanças nos compartimentos de gordura e na estrutura óssea.
Essa análise multicamadas evita que toda flacidez seja interpretada apenas como falta de colágeno.
Fotografias e escalas de avaliação
Fotografias padronizadas são importantes para registrar a condição inicial e acompanhar a evolução ao longo do tempo.
Para que a comparação seja confiável, fatores como posição da cabeça, expressão facial, distância, iluminação e enquadramento devem ser semelhantes.
Também existem escalas clínicas validadas para classificar o grau de flacidez em diferentes regiões da face e do pescoço. Essas ferramentas ajudam a tornar a avaliação mais objetiva, especialmente na comparação entre o período anterior e posterior ao tratamento. [2,3]
No entanto, fotografias e escalas não substituem o exame presencial. Elas registram sinais visíveis, mas não mostram completamente a espessura, a mobilidade e a consistência dos tecidos.
Quando exames de imagem são necessários?
A maioria dos casos pode ser avaliada clinicamente. Em situações específicas, o ultrassom dermatológico pode complementar o diagnóstico.
O exame pode auxiliar na avaliação de:
espessura da pele e do tecido subcutâneo;
distribuição da gordura;
posição e espessura do platisma;
vasos sanguíneos;
materiais injetados anteriormente;
alterações provocadas por procedimentos prévios.
O ultrassom não é obrigatório para todos os pacientes. Sua indicação depende da região, do histórico clínico e do tipo de tratamento considerado.
O que o diagnóstico deve definir?
Ao final da avaliação, o objetivo não é apenas dar um grau para a flacidez. O diagnóstico deve identificar:
quais regiões estão mais comprometidas;
quais camadas participam do problema;
qual componente é predominante;
quais fatores continuam acelerando o processo;
quais alterações podem ser tratadas;
quais limitações precisam ser respeitadas;
quais resultados são realistas para aquele rosto.
Duas pessoas com a mesma idade e a mesma queixa podem receber diagnósticos diferentes. Uma pode apresentar principalmente perda da qualidade da pele. Outra pode ter maior deslocamento dos tecidos ou perda importante de suporte estrutural.
É por isso que o tratamento não deve ser escolhido apenas pelo nome de uma tecnologia ou pela popularidade de um procedimento.
O diagnóstico vem antes da técnica.
Próximo capítulo: Como escolho o tratamento para a flacidez facial?
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Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.
Referências científicas
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