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Como é feito o diagnóstico da flacidez facial?

  • Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
  • há 7 dias
  • 4 min de leitura
Mulher analisa o diagnóstico da flacidez facial

O diagnóstico da flacidez facial não consiste apenas em observar se existe “pele sobrando”. É necessário identificar quais estruturas perderam firmeza, volume ou sustentação e entender como essas alterações se combinam em cada pessoa.


Como vimos no capítulo sobre tipos de flacidez facial, a perda de sustentação pode envolver a pele, os ligamentos, os músculos, os compartimentos de gordura e os ossos da face.


Por isso, a avaliação diagnóstica é principalmente clínica e deve considerar o rosto como um conjunto.


O diagnóstico começa pela história do paciente

Antes do exame físico, é importante compreender quando as mudanças começaram e quais fatores podem ter contribuído para sua evolução.


Durante a consulta, podem ser investigados:

  • histórico de exposição solar;

  • tabagismo;

  • menopausa e outras alterações hormonais;

  • perda recente ou importante de peso;

  • doenças que provocam perda de massa muscular;

  • qualidade do sono e alimentação;

  • tratamentos estéticos anteriores;

  • uso de medicamentos;

  • percepção e expectativas do paciente.


Essas informações ajudam a relacionar os sinais observados aos fatores que aceleram a flacidez facial.


Também permitem identificar situações que exigem investigação clínica antes de qualquer procedimento, como perda de peso sem explicação, fraqueza muscular ou alterações recentes e assimétricas da face.


Avaliação do rosto em repouso e em movimento

A face deve ser examinada de frente, de perfil e em posições oblíquas. A avaliação também precisa acontecer tanto em repouso quanto durante movimentos como sorrir, falar, contrair o pescoço e movimentar a boca.


Durante o exame, podem ser observados:

  • espessura, textura e elasticidade da pele;

  • presença de rugas finas ou profundas;

  • posição das bochechas e dos compartimentos de gordura;

  • profundidade dos sulcos;

  • definição da mandíbula;

  • presença de jowls;

  • projeção do queixo e das maçãs do rosto;

  • atividade dos músculos faciais;

  • bandas e flacidez na região do pescoço;

  • diferenças entre os dois lados da face.


A palpação e a movimentação delicada dos tecidos também ajudam a perceber sua espessura, mobilidade e grau de sustentação.


A análise deve ser feita por camadas

Um mesmo sinal visível pode ter causas diferentes.


O aprofundamento do sulco nasolabial, por exemplo, pode estar relacionado ao deslocamento dos tecidos, à perda de gordura profunda, à redução do suporte ósseo ou à combinação desses fatores.


Por isso, o diagnóstico procura responder quatro perguntas principais:


Como está a qualidade da pele?

São avaliadas firmeza, espessura, elasticidade, textura, rugas e sinais de dano solar.


Houve deslocamento dos tecidos?

A posição das bochechas, dos sulcos e do contorno mandibular pode indicar perda de eficiência das estruturas de sustentação.


Existe alteração muscular?

A movimentação facial permite observar perda de tônus, contração excessiva ou desequilíbrio entre músculos elevadores e depressores.


Houve perda de suporte estrutural?

Esvaziamento das têmporas, achatamento das maçãs do rosto e redução da projeção do queixo podem indicar mudanças nos compartimentos de gordura e na estrutura óssea.


Essa análise multicamadas evita que toda flacidez seja interpretada apenas como falta de colágeno.


Fotografias e escalas de avaliação

Fotografias padronizadas são importantes para registrar a condição inicial e acompanhar a evolução ao longo do tempo.


Para que a comparação seja confiável, fatores como posição da cabeça, expressão facial, distância, iluminação e enquadramento devem ser semelhantes.


Também existem escalas clínicas validadas para classificar o grau de flacidez em diferentes regiões da face e do pescoço. Essas ferramentas ajudam a tornar a avaliação mais objetiva, especialmente na comparação entre o período anterior e posterior ao tratamento. [2,3]


No entanto, fotografias e escalas não substituem o exame presencial. Elas registram sinais visíveis, mas não mostram completamente a espessura, a mobilidade e a consistência dos tecidos.


Quando exames de imagem são necessários?

A maioria dos casos pode ser avaliada clinicamente. Em situações específicas, o ultrassom dermatológico pode complementar o diagnóstico.


O exame pode auxiliar na avaliação de:

  • espessura da pele e do tecido subcutâneo;

  • distribuição da gordura;

  • posição e espessura do platisma;

  • vasos sanguíneos;

  • materiais injetados anteriormente;

  • alterações provocadas por procedimentos prévios.


O ultrassom não é obrigatório para todos os pacientes. Sua indicação depende da região, do histórico clínico e do tipo de tratamento considerado.


O que o diagnóstico deve definir?

Ao final da avaliação, o objetivo não é apenas dar um grau para a flacidez. O diagnóstico deve identificar:

  • quais regiões estão mais comprometidas;

  • quais camadas participam do problema;

  • qual componente é predominante;

  • quais fatores continuam acelerando o processo;

  • quais alterações podem ser tratadas;

  • quais limitações precisam ser respeitadas;

  • quais resultados são realistas para aquele rosto.


Duas pessoas com a mesma idade e a mesma queixa podem receber diagnósticos diferentes. Uma pode apresentar principalmente perda da qualidade da pele. Outra pode ter maior deslocamento dos tecidos ou perda importante de suporte estrutural.


É por isso que o tratamento não deve ser escolhido apenas pelo nome de uma tecnologia ou pela popularidade de um procedimento.


O diagnóstico vem antes da técnica.



Próximo capítulo: Como escolho o tratamento para a flacidez facial?


Conheça todos os capítulos da Biblioteca Científica VM Dermatologia.


Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.


Referências científicas

  1. Swift A, Liew S, Weinkle S, Garcia JK, Silberberg MB. The facial aging process from the “inside out”. Aesthetic Surgery Journal. 2021;41(10):1107-1119. DOI: 10.1093/asj/sjaa339.

  2. Leal Silva HG. Facial laxity rating scale validation study. Dermatologic Surgery. 2016;42(12):1370-1379. DOI: 10.1097/DSS.0000000000000915.

  3. Hersant B, Abbou R, SidAhmed-Mezi M, Meningaud JP. Assessment tools for facial rejuvenation treatment: a review. Aesthetic Plastic Surgery. 2016;40(4):556-565. DOI: 10.1007/s00266-016-0640-y.

  4. Rhee SC. A simple method for international standardization of photographic documentation for aesthetic plastic surgery. Aesthetic Plastic Surgery. 2017;41(2):461-465. DOI: 10.1007/s00266-017-0788-0.

  5. Pequeno ALV, Bagatin E. Dermatological ultrasound in assessing skin aging. Frontiers in Medicine. 2024;11:1353605. DOI: 10.3389/fmed.2024.1353605.

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