Tipos de flacidez facial: por que nem toda flacidez é igual
- Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
- há 2 dias
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Quando alguém percebe que o rosto está menos firme, é comum atribuir toda a mudança à pele. Mas a flacidez facial não acontece em uma única camada e nem se manifesta da mesma forma em todas as pessoas.
Como vimos no capítulo sobre o que é flacidez facial, o que enxergamos no espelho costuma ser o resultado de alterações simultâneas na pele, nos compartimentos de gordura, nos ligamentos, nos músculos e nos ossos da face.
Na prática clínica, é útil organizar essas alterações em quatro componentes principais:
Flacidez cutânea
Flacidez ligamentar
Flacidez muscular
Flacidez estrutural
Essa divisão é didática. Não se trata de quatro diagnósticos completamente separados, porque diferentes tipos de flacidez frequentemente coexistem no mesmo rosto. Ainda assim, identificar qual componente predomina ajuda a compreender por que uma mesma abordagem não produz os mesmos resultados em todos os pacientes.
1. Flacidez cutânea
A flacidez cutânea está relacionada principalmente à perda de qualidade e resistência da pele.
Com o envelhecimento, os fibroblastos reduzem progressivamente sua capacidade de produzir colágeno e outros componentes da matriz extracelular. Ao mesmo tempo, as fibras já existentes tornam-se mais fragmentadas e menos organizadas.
A derme perde espessura e sustentação. A elastina também sofre alterações, reduzindo a capacidade de a pele retornar à posição original depois de ser movimentada ou tracionada.
Como a flacidez cutânea costuma aparecer
Entre os sinais mais comuns estão:
Pele mais fina e menos resistente
Perda de firmeza ao toque
Rugas finas
Textura enrugada ou semelhante a um papel amassado
Menor capacidade de recuperação depois que a pele é pinçada ou movimentada
Flacidez mais visível nas pálpebras, bochechas, região ao redor da boca e pescoço
Nesse componente, o problema principal está na qualidade do tecido cutâneo. Entretanto, mesmo uma pele com perda importante de colágeno pode apresentar pouca queda quando as estruturas profundas continuam oferecendo boa sustentação.
O contrário também acontece: uma pessoa pode ter uma pele relativamente espessa e bem cuidada, mas apresentar deslocamento dos tecidos causado por alterações em camadas mais profundas.
2. Flacidez ligamentar
Os ligamentos de retenção da face formam um sistema de ancoragem que conecta os tecidos superficiais a estruturas profundas, como músculos, fáscias e ossos.
Esses pontos de fixação ajudam a manter as bochechas, os compartimentos de gordura e os demais tecidos moles em suas posições anatômicas.
Com o envelhecimento, a eficiência desse sistema de sustentação pode diminuir. Isso não acontece necessariamente porque um único ligamento simplesmente “esticou”, mas pela combinação entre alterações nas estruturas fibrosas, perda de suporte ósseo, mudanças no sistema musculoaponeurótico superficial e modificações dos compartimentos de gordura ao redor.
Como a flacidez ligamentar costuma aparecer
Quando o sistema de retenção perde eficiência, os tecidos tendem a se deslocar inferiormente. Esse processo pode contribuir para:
Queda das bochechas
Aprofundamento do sulco nasolabial
Formação dos jowls, as bolsas que aparecem junto à mandíbula
Perda de definição do contorno mandibular
Formação ou aprofundamento das linhas de marionete
Transição menos definida entre o rosto e o pescoço
Por isso, a flacidez ligamentar não se manifesta apenas como uma pele mais frouxa. O principal sinal é a mudança de posição dos tecidos.
Uma pele de boa qualidade pode acompanhar esse deslocamento e, ainda assim, produzir uma aparência de queda facial.
3. Flacidez muscular
A musculatura facial participa continuamente das expressões, da movimentação da boca, do sorriso e da sustentação dinâmica dos tecidos.
Com o passar do tempo, os músculos da face também se modificam. Alguns podem apresentar redução de volume, espessura ou função. Outros podem permanecer excessivamente ativos ou sofrer encurtamento, acentuando determinados vetores de tração.
Existe ainda uma relação de equilíbrio entre músculos elevadores, que ajudam a movimentar estruturas para cima, e músculos depressores, que exercem tração para baixo.
Quando esse equilíbrio se modifica, determinados sinais do envelhecimento podem se tornar mais evidentes.
O papel do platisma
O platisma é um músculo superficial que se estende pelo pescoço e alcança a região inferior da face. Sua contração exerce força descendente sobre alguns tecidos próximos à mandíbula e à boca.
Com o envelhecimento e a repetição dos movimentos, sua atividade pode contribuir para:
Perda de definição da linha mandibular
Tração descendente do terço inferior da face
Formação de bandas verticais no pescoço
Linhas horizontais cervicais
Aparência de tensão ou peso na região inferior do rosto
Portanto, o componente muscular da flacidez não deve ser interpretado apenas como “músculo fraco”. Em alguns pacientes existe perda de função ou sustentação. Em outros, o problema predominante pode ser a contração excessiva ou o desequilíbrio entre diferentes grupos musculares.
4. Flacidez estrutural
A flacidez estrutural está relacionada às mudanças nas fundações profundas da face, especialmente no esqueleto e nos compartimentos de gordura.
O rosto não envelhece apenas por fora. Os ossos faciais também passam por um processo contínuo de remodelação.
Com o tempo, podem ocorrer alterações em regiões como:
Rebordos orbitários
Maxila
Abertura piriforme
Mandíbula
Mento
Essas mudanças reduzem alguns dos pontos naturais de projeção e sustentação dos tecidos moles.
Ao mesmo tempo, a gordura facial se modifica de maneira heterogênea. Alguns compartimentos perdem volume, enquanto outros mudam de posição ou se tornam proporcionalmente mais aparentes.
Estudos longitudinais de imagem mostram que tanto compartimentos superficiais quanto profundos podem perder volume ao longo dos anos, com padrões diferentes entre as regiões da face.
Como a flacidez estrutural costuma aparecer
Entre as manifestações possíveis estão:
Achatamento das maçãs do rosto
Perda de projeção do terço médio
Olheiras mais profundas
Têmporas mais escavadas
Aprofundamento dos sulcos
Perda da definição mandibular
Redução da projeção do queixo
Aparência de excesso de pele sobre uma estrutura que perdeu suporte
Esse componente costuma ser mais evidente em pessoas com envelhecimento facial avançado, estrutura óssea naturalmente menos projetada ou perda significativa de volume.
Também pode aparecer depois de um emagrecimento importante. Quando há redução rápida ou intensa da gordura facial, a pele e os tecidos de sustentação nem sempre conseguem se adaptar na mesma velocidade. Como resultado, podem surgir esvaziamento das bochechas, aprofundamento dos sulcos e maior frouxidão no rosto e no pescoço.
Os diferentes tipos de flacidez costumam coexistir
Embora seja possível descrever separadamente a flacidez cutânea, ligamentar, muscular e estrutural, raramente um paciente apresenta apenas um desses componentes.
Uma pessoa pode ter, ao mesmo tempo:
Pele fina e com menor elasticidade
Deslocamento dos compartimentos de gordura
Redução do suporte ósseo
Maior ação de músculos depressores
Perda de eficiência do sistema ligamentar
É justamente essa sobreposição que torna o envelhecimento facial tão individual.
Como explicado no capítulo Como ocorre o envelhecimento da face?, cada camada se modifica em uma velocidade diferente. O padrão final depende da anatomia, da genética, da exposição solar, das alterações hormonais, da composição corporal e dos hábitos de cada pessoa.
Como saber qual tipo de flacidez predomina?
A identificação do componente predominante exige uma avaliação clínica completa.
Durante essa análise, podem ser observados:
Espessura, textura e elasticidade da pele
Posição dos compartimentos de gordura
Projeções ósseas da face
Contorno da mandíbula e do mento
Mobilidade dos tecidos
Expressões faciais em repouso e em movimento
Atividade dos músculos elevadores e depressores
Mudanças recentes de peso
Histórico hormonal, clínico e comportamental
Fotografias padronizadas e exames de imagem podem complementar a avaliação em situações específicas, mas não substituem o exame clínico.
Essa diferenciação é importante porque tratamentos que atuam predominantemente na pele não corrigem, por si só, uma perda importante de suporte estrutural. Da mesma maneira, restaurar volume sem avaliar a qualidade da pele, a movimentação muscular e a posição dos tecidos pode produzir resultados incompletos ou pouco naturais.
Por que identificar o tipo de flacidez muda o tratamento?
Não existe um único tratamento capaz de atuar com a mesma intensidade em todas as camadas da face.
Cada procedimento possui profundidade, mecanismo de ação e indicação específicos. Por isso, a escolha não deve começar pela tecnologia disponível, mas pelo diagnóstico das estruturas que mais contribuíram para aquela alteração.
Em alguns pacientes, o principal objetivo pode ser melhorar a qualidade e a firmeza da pele. Em outros, pode ser necessário abordar a movimentação muscular, a sustentação profunda, a perda de volume ou diferentes componentes de forma combinada.
O tratamento criterioso da flacidez facial não significa simplesmente “esticar” a pele. Significa compreender onde ocorreu a perda de sustentação e planejar uma abordagem proporcional, individualizada e compatível com a anatomia de cada rosto.
Esse é o princípio que permite preservar identidade, movimento e naturalidade.
Próximo capítulo: Fatores que aceleram a flacidez facial
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