top of page

Flacidez facial na menopausa: o que muda na pele?

Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
há 4 dias
6 min de leitura
Flacidez facial na menopausa

A menopausa é uma transição biológica marcada pela redução da atividade ovariana e, principalmente, dos níveis de estrogênio.


Como a pele possui receptores hormonais, essa mudança pode interferir em sua estrutura e funcionamento.


Entre as alterações descritas estão:

  • redução do conteúdo e da produção de colágeno;

  • diminuição da elasticidade e da espessura da pele;

  • maior ressecamento;

  • alterações na hidratação e na função de barreira;

  • menor capacidade de reparação;

  • maior percepção de rugas e flacidez.


Essas mudanças, porém, não acontecem isoladamente.


Genética, exposição solar acumulada, tabagismo, hábitos de vida, composição corporal e o próprio envelhecimento cronológico continuam participando do processo.

Por isso, não existe uma “pele padrão” da menopausa.


Menopausa e envelhecimento são a mesma coisa?

Não.


Eles frequentemente acontecem no mesmo período da vida, mas representam processos diferentes.


O envelhecimento cronológico ocorre gradualmente ao longo dos anos. Já a transição menopausal acrescenta uma mudança hormonal capaz de influenciar principalmente colágeno, hidratação, elasticidade e espessura cutânea.


Na face, algumas mulheres podem perceber maior evidência de:

  • flacidez das bochechas;

  • perda da definição mandibular;

  • rugas finas;

  • linhas ao redor da boca;

  • ressecamento;

  • afinamento da pele;

  • flacidez do pescoço.


A intensidade varia bastante entre as pacientes.



Como é feita a avaliação?

Avaliar a pele durante e após a menopausa significa olhar além da idade.


Durante a consulta, considero fatores como:

  • qualidade, espessura e hidratação da pele;

  • grau de fotoenvelhecimento;

  • flacidez da face e do pescoço;

  • distribuição do volume facial;

  • contorno e sustentação;

  • movimentação muscular;

  • manchas e alterações vasculares;

  • medicamentos e doenças associadas;

  • uso ou não de terapia hormonal;

  • expectativas da paciente.


Uma mulher pode apresentar predominantemente ressecamento e perda de luminosidade.


Outra pode ter perda importante de volume ou flacidez estrutural. Essas situações não devem receber automaticamente o mesmo tratamento.


Quando começar a tratar?

Não é necessário esperar a flacidez se tornar intensa.

Cuidados com fotoproteção, hidratação, barreira cutânea e qualidade da pele podem ser realizados de maneira contínua.


Quando existem alterações que justificam uma intervenção, tratamentos voltados à remodelação de colágeno ou a outras estruturas podem ser acrescentados de forma gradual.


A indicação deve partir do diagnóstico e não apenas do fato de a paciente ter entrado na menopausa.


Quais tratamentos podem ser considerados?

Não existe um protocolo único para a flacidez facial na menopausa.


Cuidados diários com a pele

Fotoproteção e hidratação continuam sendo pilares importantes.


Ativos tópicos, como retinoides em pacientes selecionadas, podem contribuir para renovação da pele e estímulo de colágeno.


Como a pele pode se tornar mais seca ou sensível nessa fase, a introdução desses produtos precisa respeitar a tolerância individual.


Tecnologias para estímulo de colágeno

Radiofrequência, ultrassom focalizado, lasers e radiofrequência microagulhada possuem mecanismos e profundidades diferentes.


Podem fazer parte do planejamento para melhorar firmeza, textura ou qualidade da pele quando existe indicação.


A escolha depende da espessura da pele, do grau de flacidez, do volume facial e da região tratada.


Bioestimuladores de colágeno

Podem contribuir para uma melhora progressiva da estrutura dérmica e da firmeza.


Isso não significa, porém, que toda paciente na menopausa precise de bioestimuladores.


Produto, quantidade e plano de aplicação precisam ser individualizados para preservar proporções e naturalidade.


Tratamentos musculares

A musculatura também participa das mudanças do envelhecimento facial.


Quando a avaliação identifica alterações na dinâmica muscular que contribuem para perda de contorno ou sustentação, abordagens específicas podem complementar o tratamento da pele.


Reposição de volume

A menopausa também acontece em uma fase da vida em que mudanças nos compartimentos de gordura e no suporte ósseo podem se tornar mais evidentes.


Quando existe perda estrutural verdadeira, a reposição cuidadosa de volume pode ser considerada.


O objetivo não é compensar toda flacidez adicionando preenchimento, mas restaurar suporte apenas onde houver necessidade.


Tratamentos regenerativos

PRP, PRF, polinucleotídeos e outras abordagens vêm sendo estudados para melhora da qualidade da pele.


Existem estudos sugerindo benefícios em parâmetros como elasticidade, espessura, textura e rugas, mas a quantidade e a qualidade das evidências ainda variam entre as técnicas.


Por isso, não devem ser colocadas todas na mesma categoria nem apresentadas como equivalentes a tratamentos com evidência mais consolidada.


E a terapia hormonal?

A terapia hormonal da menopausa possui indicações médicas próprias e pode trazer benefícios importantes para pacientes selecionadas.


Estudos mostram que o estrogênio pode influenciar parâmetros cutâneos, incluindo colágeno, espessura e elasticidade.


Isso não significa que a terapia hormonal deva ser prescrita exclusivamente para tratar flacidez facial.


A decisão deve considerar sintomas da menopausa, idade, histórico clínico, riscos, benefícios e contraindicações, em conjunto com o médico responsável pelo acompanhamento hormonal.


Da mesma maneira, estrogênios tópicos faciais não devem ser tratados como cosméticos comuns.


Pesquisas recentes estudam seu potencial no envelhecimento cutâneo, mas ainda existem questões relacionadas à formulação, absorção, indicação e segurança em longo prazo.


Como penso no tratamento da pele na menopausa?

Minha pergunta não é simplesmente:

“Qual é o melhor tratamento para menopausa?”


Primeiro procuro identificar o que realmente mudou.

A pele está mais fina e ressecada? Existe perda de colágeno? Houve redução de volume? O contorno mudou? Há flacidez no pescoço? Existe participação muscular?


Só depois dessa análise construo o plano.

Em algumas pacientes, melhorar barreira cutânea e estimular colágeno pode ser suficiente.


Em outras, pode fazer sentido combinar tecnologias, bioestimuladores, tratamento muscular ou uma reposição estrutural discreta.


Combinar tratamentos não significa fazer mais procedimentos. Significa tratar estruturas diferentes quando existe uma razão clara para isso.

O objetivo não é tentar devolver à paciente o rosto de outra fase da vida.

É ajudar a pele a envelhecer com saúde, firmeza e naturalidade.


Mitos e verdades

“Toda mulher apresenta flacidez intensa depois da menopausa.”

Mito.

A intensidade das mudanças varia de acordo com genética, exposição solar, características da pele, hábitos e diversos outros fatores.


“A queda do estrogênio influencia o colágeno e a hidratação.”

Verdade.

A deficiência estrogênica está associada a alterações no colágeno, na espessura, na elasticidade e na hidratação cutânea.


“Reposição hormonal é um tratamento estético para o rosto.”

Mito.

A terapia hormonal possui indicações médicas próprias e não deve ser iniciada exclusivamente como tratamento cosmético da flacidez.


“Preenchimento resolve toda flacidez da menopausa.”

Mito.

Perda de volume e flacidez são alterações diferentes. O preenchimento é indicado apenas quando existe necessidade de restaurar suporte ou volume.


“Pode ser necessário combinar tratamentos.”

Verdade.

Desde que cada recurso tenha uma função definida dentro do planejamento.


Perguntas frequentes

A pele volta ao que era antes da menopausa?

Não completamente.

Os tratamentos podem melhorar diversos parâmetros da pele e estimular estruturas que continuam responsivas, mas não revertem o processo biológico do envelhecimento.


Qual é o melhor tratamento?

Não existe uma tecnologia ou substância universalmente superior.

A escolha depende da alteração predominante e das características de cada paciente.



Mulheres que fazem terapia hormonal não terão flacidez?

Não.

A terapia hormonal pode influenciar alguns parâmetros cutâneos, mas não impede todos os mecanismos relacionados ao envelhecimento facial.

Pele, gordura, músculos, ligamentos e estrutura óssea continuam sofrendo modificações ao longo dos anos.


Em resumo

A menopausa pode acelerar mudanças relacionadas ao colágeno, elasticidade, hidratação e qualidade da pele, mas não determina sozinha como uma mulher irá envelhecer.

Por isso, o tratamento da flacidez facial nessa fase precisa ser individualizado e multidimensional.


Mais importante do que escolher antecipadamente um bioestimulador, uma tecnologia ou um preenchimento é compreender qual estrutura realmente mudou e o quanto ela precisa ser tratada.


É esse raciocínio que permite cuidar da pele sem excessos e preservar aquilo que considero essencial: identidade, proporção e naturalidade.


Leia também:


Conheça todos os conteúdos da Biblioteca Científica VM Dermatologia.


Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui avaliação médica individualizada.

Referências científicas

  1. Calleja-Agius J, Brincat M. The effect of menopause on the skin and other connective tissues. Gynecological Endocrinology. 2012;28(4):273-277. PMID: 21970508.

  2. Silva SAM, Michniak-Kohn B, Leonardi GR. An overview about oxidation in clinical practice of skin aging. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2017.

  3. Piérard GE, Humbert P, Berardesca E, et al. Revisiting the effects of menopause on the skin: functional changes, clinical studies, in vitro models and therapeutic alternatives. Mechanisms of Ageing and Development. 2020;185:111193. PMID: 31811831.

  4. Silva Neto LS, et al. Skin rejuvenation in women using menopausal hormone therapy: a systematic review and meta-analysis. Journal of Menopausal Medicine. 2024. PMID: 38230593.

  5. Managing menopausal skin changes: a narrative review of skin quality changes, their aesthetic impact, and the actual role of hormone replacement therapy in improvement. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025. PMID: 40847905.

  6. Farkas E, Goldblatt A, Nehorayan I, et al. Topical estrogen for skin aging: a systematic review of safety and efficacy. Journal of the American Academy of Dermatology. 2026;94(1):212-215. PMID: 40854497.

  7. Contini M, Hollander MHJ, Vissink A, et al. A systematic review of the efficacy of microfocused ultrasound for facial skin tightening. International Journal of Environmental Research and Public Health. 2023. PMID: 36674277.

  8. Qin N, Kochheiser M, Akosman I, et al. Systematic review of platelet-rich plasma and platelet-rich fibrin in facial rejuvenation. Annals of Plastic Surgery. 2025;94(4S Suppl 2). PMID: 40167104.

Comentários


Clínica Valéria Marcondes

CRM 50283 - RQE 50890

11 99459 2338  |  11 99459 3134  | 11 3861 5911

Formulário de inscrição

Obrigada!

  • Instagram - Cinza Círculo
  • headphone
  • Spotify - círculo cinza
  • YouTube - círculo cinza

Clínica Valéria Marcondes ©2022

bottom of page