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Qual o melhor tratamento para flacidez facial sem cirurgia?

Foto do escritor: Dra. Valéria Marcondes - Médica Dermatologista - CRM-SP 50283 | RQE 50890
Dra. Valéria Marcondes - Médica Dermatologista - CRM-SP 50283 | RQE 50890
há 5 dias
5 min de leitura

Atualizado: há 10 horas

mulher examina sua flacidez facial

A flacidez facial é uma das queixas mais frequentes no consultório dermatológico.

Muitas vezes, a paciente percebe que o rosto perdeu firmeza, que o contorno mandibular ficou menos definido ou que surgiu uma sensação de “queda”, mas não deseja realizar uma cirurgia.


A primeira informação importante é: não existe um único melhor tratamento para toda flacidez facial.


Isso acontece porque o envelhecimento não ocorre apenas na pele. Ele envolve diferentes estruturas, como tecido subcutâneo, compartimentos de gordura, ligamentos, músculos e estrutura óssea.


E essas camadas não envelhecem da mesma maneira em todas as pessoas.


Por que o rosto perde firmeza?

Com o passar dos anos, ocorre redução e reorganização do colágeno e de outros componentes responsáveis pela firmeza da pele.


Ao mesmo tempo, estruturas mais profundas também se modificam. Os compartimentos de gordura podem perder volume ou mudar de posição, os tecidos de sustentação se alteram e o contorno da face pode se tornar menos definido.


Por isso, aquilo que chamamos genericamente de “flacidez” pode representar situações diferentes.


Uma paciente pode apresentar principalmente perda de qualidade da pele. Outra pode ter redução de suporte ou volume. E muitas apresentam uma combinação desses fatores.



Como escolher o tratamento?

O ponto de partida deve ser o diagnóstico.


Antes de escolher um aparelho ou procedimento, é necessário entender qual estrutura está contribuindo para a alteração e qual profundidade precisa ser tratada.


Entre as possibilidades não cirúrgicas estão:

  • radiofrequência;

  • ultrassom microfocado;

  • bioestimuladores de colágeno;

  • tratamentos voltados à qualidade da pele;

  • reposição criteriosa de volume, quando realmente necessária.


Em alguns pacientes, uma única abordagem pode ser suficiente. Em outros, estratégias diferentes podem ser combinadas.


Combinar tratamentos não significa fazer mais procedimentos. Significa tratar componentes diferentes quando existe indicação.


Radiofrequência

A radiofrequência utiliza energia para promover aquecimento controlado dos tecidos.


Dependendo da tecnologia e dos parâmetros utilizados, esse estímulo pode favorecer remodelação do colágeno e melhora progressiva da firmeza e da qualidade da pele.


Na VM Dermatologia, tecnologias como o OligioX podem fazer parte dessa estratégia.


A indicação, porém, não deve acontecer simplesmente pelo nome do aparelho. Espessura da pele, grau de flacidez, anatomia e objetivo do tratamento precisam ser considerados.


Ultrassom microfocado

O ultrassom microfocado possui outro mecanismo.


Ele concentra energia em profundidades determinadas, produzindo pontos térmicos controlados que desencadeiam uma resposta de remodelação dos tecidos.


Pode ser utilizado para melhora de graus selecionados de flacidez e para favorecer firmeza e sustentação sem cirurgia.


Tecnologias como Ultraformer MPT e LinearZ permitem trabalhar diferentes profundidades e estratégias.


A escolha das regiões, dos parâmetros e da profundidade faz parte do tratamento. Um rosto magro, por exemplo, não deve necessariamente receber o mesmo protocolo de uma face com maior espessura de tecido adiposo.


E os bioestimuladores de colágeno?

Substâncias como o ácido poli-L-láctico e a hidroxiapatita de cálcio podem estimular uma resposta progressiva de produção e reorganização de colágeno.


Seu papel é diferente daquele das tecnologias baseadas em energia.


Em determinados pacientes, bioestimulação e tecnologias podem ser complementares. Entretanto, isso não significa que a associação seja sempre necessária ou superior.


Cada recurso precisa ter uma função definida dentro do planejamento.


Preenchimento trata flacidez?

Nem sempre.

Preenchimento não deve ser sinônimo de tratamento de flacidez.


Quando existe perda verdadeira de volume ou suporte estrutural, uma reposição cuidadosa pode ajudar a recuperar proporções e sustentação.


Mas tentar corrigir toda perda de contorno simplesmente acrescentando ácido hialurônico pode não tratar a causa predominante e ainda aumentar excessivamente o volume facial.


A gordura da face está organizada em diferentes compartimentos. Por isso, antes de repor volume, é necessário identificar onde realmente houve perda.


Como escolho na prática?

Minha primeira pergunta não é:

“Qual aparelho devo usar?”

É:

“Qual estrutura está contribuindo para essa flacidez?”


A partir dessa avaliação, podemos decidir se aquela paciente precisa predominantemente de radiofrequência, ultrassom, bioestimulação, melhora da qualidade da pele, reposição estrutural ou uma combinação dessas estratégias.



O objetivo não é tratar o rosto inteiro simplesmente porque existem tecnologias disponíveis.


É atuar nas estruturas que realmente precisam de tratamento, preservando proporções, movimento e naturalidade.


Perguntas frequentes

É possível melhorar a flacidez facial sem cirurgia?

Sim.


Tratamentos não cirúrgicos podem melhorar graus selecionados de flacidez, principalmente leves e moderados.


Entretanto, eles não reproduzem o reposicionamento de tecidos obtido por um lifting cirúrgico.


Quando existe excesso importante de pele ou deslocamento avançado dos tecidos, uma avaliação cirúrgica pode ser mais adequada.


Existe uma tecnologia melhor que todas as outras?

Não.


Radiofrequência e ultrassom, por exemplo, possuem mecanismos e formas de entrega de energia diferentes.


A melhor escolha depende do diagnóstico e das características de cada paciente.


Uma sessão é suficiente?

Depende.


Tecnologia, intensidade da flacidez, protocolo utilizado e resposta individual influenciam o número de sessões e a necessidade de manutenção.


Quanto tempo demora para aparecer o resultado?

Tratamentos que dependem da remodelação de colágeno costumam apresentar evolução progressiva.


Algumas mudanças podem ser percebidas inicialmente, mas parte importante do resultado se desenvolve ao longo das semanas e meses seguintes.


Mito ou verdade?

“Toda flacidez precisa de preenchimento.”Mito.

“Tecnologias diferentes podem atuar de maneiras e profundidades diferentes.”Verdade.

“Quanto mais procedimentos forem associados, melhor será o resultado.”Mito.


O tratamento deve ser construído a partir do diagnóstico, e não da quantidade de procedimentos disponíveis.


Em resumo

O melhor tratamento não cirúrgico para flacidez facial é aquele escolhido depois de identificar qual camada e qual mecanismo estão predominando no envelhecimento daquele rosto.


Para algumas pacientes, a principal estratégia pode ser radiofrequência. Para outras, ultrassom microfocado, bioestimulação ou uma associação planejada de técnicas.


E existem situações em que os tratamentos não cirúrgicos possuem limitações.


Essa é a base de um rejuvenescimento mais natural: tratar aquilo que realmente precisa ser tratado, na profundidade adequada e sem transformar o rosto.


Leia também:


Conheça todos os conteúdos da Biblioteca Científica VM Dermatologia.


Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.


Referências científicas

  1. Swift A, Liew S, Weinkle S, Garcia JK, Silberberg MB. The facial aging process from the “inside out”. Aesthetic Surgery Journal. 2021;41(10):1107-1119. DOI: 10.1093/asj/sjaa339.

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  6. Tam E, Choo JPS, Rao P, et al. A systematic review on the effectiveness and safety of combining biostimulators with botulinum toxin, dermal fillers, and energy-based devices. Aesthetic Plastic Surgery. 2025;49:2809-2833.

Sobre a autora

Dra. Valéria Marcondes

Médica dermatologista e fundadora da Clínica Valéria Marcondes

Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, com residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. É membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology, diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e membro fundadora da Sociedade de Laser de São Paulo.


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