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Radiofrequência ou ultrassom microfocado: qual a diferença?

Clinica Valéria Marcondes Dermatologia e Estética
27 de out.
6 min de leitura
Radiofrequência ou ultrassom microfocado

Radiofrequência e ultrassom microfocado estão entre as tecnologias utilizadas no tratamento não cirúrgico da flacidez facial.


Como ambas podem estimular remodelação de colágeno e melhorar características relacionadas à firmeza, é comum que sejam colocadas na mesma categoria.


Mas elas não funcionam da mesma maneira.


E entender essa diferença ajuda a explicar por que nem sempre existe uma tecnologia “melhor”.


O que a radiofrequência faz?

A radiofrequência utiliza energia eletromagnética para produzir aquecimento controlado dos tecidos.


Esse aumento de temperatura desencadeia respostas relacionadas à contração das fibras de colágeno existentes e, posteriormente, à remodelação da matriz extracelular.


A forma como o calor é distribuído depende de diversos fatores, como:

  • tipo de radiofrequência;

  • configuração dos eletrodos;

  • potência e tempo de aplicação;

  • características do aparelho;

  • espessura e composição dos tecidos.


Por isso, falar simplesmente em “radiofrequência” é insuficiente para comparar equipamentos diferentes.


Na VM Dermatologia, o OligioX, por exemplo, representa uma das possibilidades de radiofrequência monopolar utilizadas dentro de protocolos individualizados.


E o ultrassom microfocado?

O ultrassom trabalha de outra maneira.


Ondas acústicas são concentradas em pontos focais localizados em profundidades previamente determinadas, criando pequenas zonas térmicas nos tecidos.


Entre a superfície e o ponto focal, grande parte do tecido intermediário é preservada.

Dependendo do equipamento e do transdutor utilizado, é possível selecionar diferentes profundidades de tratamento.


Na VM Dermatologia, tecnologias como Ultraformer MPT e LinearZ fazem parte desse grupo.



Qual das duas tecnologias chega mais profundamente?

Essa pergunta parece simples, mas pode levar a uma comparação inadequada.


A profundidade não depende apenas de ser radiofrequência ou ultrassom.


Ela também é determinada pelo aparelho, aplicador, parâmetros escolhidos e anatomia da região tratada.


O mais importante é compreender que as duas tecnologias produzem padrões diferentes de distribuição de energia.


Em determinadas modalidades de radiofrequência, o aquecimento ocorre de maneira mais volumétrica.


No ultrassom focalizado, a energia é concentrada em pontos específicos e previamente definidos.


Clinicamente, essa diferença é mais relevante do que simplesmente perguntar qual aparelho “vai mais fundo”.


Qual estimula mais colágeno?

As duas podem estimular remodelação de colágeno.

Existem evidências clínicas tanto para radiofrequência quanto para ultrassom no tratamento da flacidez.


Revisões sistemáticas sobre ultrassom microfocado mostram melhora principalmente em pacientes com flacidez facial leve a moderada.


A radiofrequência também apresenta evidências de melhora mensurável da laxidade facial e corporal.


Entretanto, existe grande variedade de equipamentos, técnicas, parâmetros e protocolos. Por isso, não podemos assumir que todos os aparelhos dentro da mesma categoria produzam exatamente os mesmos resultados.


Existe comparação direta entre radiofrequência e ultrassom?

Sim, mas a evidência comparativa ainda é limitada.

Um estudo clínico randomizado do tipo split-face avaliou 20 pacientes com flacidez leve a moderada.


Um lado da face foi tratado com radiofrequência monopolar e o outro com ultrassom microfocado.


Após seis meses, os dois lados apresentaram melhora significativa da flacidez e não houve diferença estatisticamente significativa entre as tecnologias nas principais avaliações realizadas.


Esse estudo não significa que os tratamentos sejam equivalentes em todas as situações.


Ele reforça uma ideia importante: a escolha entre radiofrequência e ultrassom não deveria ser reduzida a uma competição entre aparelhos.


Quando penso em radiofrequência?

Quando considero interessante utilizar um aquecimento controlado dos tecidos com foco em remodelação de colágeno e melhora progressiva da firmeza.


A indicação depende de fatores como:

  • qualidade e espessura da pele;

  • grau de flacidez;

  • região tratada;

  • quantidade de tecido;

  • características individuais;

  • objetivo terapêutico.


O equipamento sozinho não determina a indicação.


Quando penso em ultrassom microfocado?

Quando considero interessante trabalhar pontos específicos em profundidades selecionadas.


A possibilidade de escolher diferentes planos permite construir estratégias distintas para face, mandíbula e pescoço.


Isso não significa que toda paciente com flacidez precise de ultrassom.


Da mesma forma, escolher entre Ultraformer MPT, LinearZ ou outra tecnologia depende da anatomia, do objetivo e das características de cada plataforma.


Radiofrequência e ultrassom podem ser associados?

Podem, em pacientes selecionados.


Mas a associação não deve ser automática.


Como as duas tecnologias provocam estímulos térmicos nos tecidos, é necessário considerar:

  • objetivo de cada tratamento;

  • profundidade;

  • intensidade;

  • área tratada;

  • sequência dos procedimentos;

  • intervalo entre as sessões.


Combinar tecnologias só faz sentido quando cada uma possui uma função definida dentro do planejamento.


Fazer dois tratamentos simplesmente porque ambos estimulam colágeno não significa necessariamente obter o dobro do resultado.


Como penso na prática clínica

Na consulta, eu não começo escolhendo entre OligioX, Ultraformer MPT ou LinearZ.


Começo avaliando a paciente.

Onde está a flacidez?

Qual é a espessura dos tecidos?

A principal alteração está na qualidade da pele, no contorno ou envolve planos mais profundos?

Existe volume que precisa ser preservado?

Qual resultado conseguimos buscar de maneira realista sem cirurgia?


Só depois dessa análise escolho a tecnologia e os parâmetros.


É uma inversão importante de raciocínio: não adaptamos o rosto ao aparelho. Escolhemos o aparelho para aquele rosto.


Quando essas tecnologias não são suficientes?

Radiofrequência e ultrassom são tratamentos não cirúrgicos e possuem limites.


As melhores evidências para ultrassom microfocado estão principalmente relacionadas a graus leves e moderados de flacidez.


Quando existe excesso importante de pele ou deslocamento avançado dos tecidos, a melhora proporcionada por tecnologias pode não corresponder à expectativa da paciente.


Nesses casos, uma avaliação cirúrgica pode ser mais coerente.


Reconhecer esse limite também faz parte de uma indicação responsável.


Perguntas frequentes

Radiofrequência dói mais que ultrassom?

Não é possível generalizar.

O desconforto varia conforme o aparelho, energia, profundidade, área tratada e sensibilidade individual.


Qual produz mais efeito lifting?

Não existe evidência suficiente para afirmar que uma modalidade seja universalmente superior.

O resultado depende da indicação, do equipamento, do protocolo e das características da paciente.


Posso fazer radiofrequência e ultrassom?

Em determinados planejamentos, sim.

Mas realizar os dois não é automaticamente melhor do que utilizar apenas uma tecnologia bem indicada.


Os resultados são iguais aos de uma cirurgia?

Não.

Radiofrequência e ultrassom são tratamentos não cirúrgicos e não reproduzem o reposicionamento dos tecidos obtido em um lifting facial.


Mitos e verdades

“Ultrassom e radiofrequência são praticamente a mesma coisa.”Mito.

“Ambos podem participar do tratamento da flacidez.”Verdade.

“A tecnologia que chega mais fundo é sempre melhor.”Mito.

“Anatomia e diagnóstico devem determinar a escolha.”Verdade.


Em resumo

Radiofrequência e ultrassom microfocado não são tecnologias concorrentes por definição.

Elas utilizam formas diferentes de energia e produzem padrões diferentes de aquecimento nos tecidos.


A escolha depende daquilo que precisamos tratar, da anatomia, da profundidade necessária e das características individuais de cada paciente.


Na VM Dermatologia, o raciocínio é simples: primeiro entendemos como aquele rosto está envelhecendo. Depois escolhemos a tecnologia.


Leia também:


Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.


Referências científicas

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Sobre a autora

Dra. Valéria Marcondes

Médica dermatologista e fundadora da Clínica Valéria Marcondes

Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, com residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. É membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology, diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e membro fundadora da Sociedade de Laser de São Paulo.


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