O que fazer quando o rosto começa a “derreter”?

Atualizado: há 10 horas

“Meu rosto está derretendo.”
Embora não seja um termo médico, essa é uma descrição muito comum no consultório.
A paciente percebe que as bochechas parecem mais baixas, os sulcos ficam evidentes, surgem alterações ao lado do queixo e a linha da mandíbula perde definição.
Mas o rosto não está simplesmente “caindo”.
O que enxergamos no espelho é resultado de mudanças que acontecem simultaneamente em diferentes estruturas.
O que acontece com o rosto ao envelhecer?
O envelhecimento facial é tridimensional.
Pele, compartimentos de gordura, ligamentos, músculos e estrutura óssea se modificam ao longo dos anos, e cada uma dessas camadas pode contribuir de maneira diferente para a aparência final.
A gordura facial, por exemplo, não forma uma camada única. Ela está organizada em compartimentos superficiais e profundos que podem perder volume, mudar de posição ou se comportar de formas diferentes durante o envelhecimento.
Isso ajuda a explicar por que algumas áreas ficam mais vazias enquanto outras parecem mais pesadas ou menos definidas.
Leia também: Como ocorre o envelhecimento da face?
Por que o contorno da mandíbula muda?
A alteração que aparece junto à mandíbula é frequentemente chamada de jowl.
Sua formação é multifatorial.
Perda de firmeza da pele, alterações na distribuição da gordura, mudanças nos sistemas de sustentação e dinâmica muscular podem participar ao mesmo tempo.
Por isso, existe um princípio importante: perda de contorno não significa automaticamente falta de volume.
E acrescentar preenchimento não deve ser necessariamente a primeira resposta.
Antes, é preciso descobrir quais estruturas estão causando aquela mudança.
É possível “levantar” o rosto sem cirurgia?
Essa expressão precisa ser utilizada com cuidado.
Tratamentos não cirúrgicos não reproduzem mecanicamente aquilo que um lifting cirúrgico consegue fazer.
O que podemos fazer é atuar sobre diferentes componentes do envelhecimento.
Dependendo do diagnóstico, o planejamento pode buscar:
melhorar firmeza e qualidade da pele;
estimular remodelação de colágeno;
atuar em diferentes profundidades dos tecidos;
melhorar determinados contornos;
tratar alterações musculares;
restaurar suporte ou volume quando realmente necessário.
Em alguns pacientes, uma abordagem pode ser suficiente. Em outros, estratégias diferentes podem ser complementares.
Onde entram radiofrequência e ultrassom?
Tecnologias baseadas em energia podem participar do tratamento da flacidez, mas não funcionam todas da mesma maneira.
A radiofrequência promove aquecimento controlado dos tecidos e pode favorecer remodelação de colágeno e melhora da firmeza.
O ultrassom microfocado concentra energia em profundidades determinadas, permitindo trabalhar planos diferentes de acordo com a região, anatomia e objetivo.
Por isso, tecnologias como OligioX, Ultraformer MPT e LinearZ não deveriam ser comparadas apenas perguntando qual delas é “mais forte”.
A pergunta mais útil é: qual delas faz sentido para esta anatomia e para esta necessidade?
E os bioestimuladores?
Os bioestimuladores de colágeno também podem fazer parte do planejamento quando existe indicação para melhorar progressivamente firmeza e qualidade dos tecidos.
Seu mecanismo é diferente daquele das tecnologias de energia.
Isso significa que bioestimulador, radiofrequência e ultrassom não são necessariamente concorrentes.
Em alguns casos, podem ser alternativas. Em outros, podem atuar de maneira complementar.
A combinação, porém, precisa ter uma razão clara. Mais procedimentos não significam automaticamente um resultado melhor.
Quando o preenchimento faz sentido?
Quando existe uma perda real de volume ou suporte que possa se beneficiar da reposição.
O conhecimento atual dos compartimentos de gordura permite planejar essa reposição de maneira mais estratégica.
Isso é diferente de simplesmente “preencher onde parece vazio”.
Tentar corrigir toda sensação de queda adicionando volume pode deixar o rosto mais pesado sem tratar a causa principal.
O objetivo deve ser restaurar proporções quando necessário, preservando as características individuais da face.
Como penso na prática clínica
Quando uma paciente diz que o rosto está “derretendo”, minha primeira etapa é descobrir por quê.
Observo qualidade da pele, espessura dos tecidos, contorno, distribuição do volume, dinâmica muscular e características anatômicas individuais.
Só depois escolho a estratégia.
Em uma paciente, o foco pode ser radiofrequência.
Em outra, ultrassom.
Em outra, bioestimulação ou uma reposição estrutural discreta.
E existem situações em que uma combinação progressiva faz mais sentido.
Também existem casos em que a flacidez é avançada e a cirurgia precisa fazer parte da conversa.
Reconhecer os limites dos tratamentos não cirúrgicos também faz parte de uma medicina estética responsável.
Perguntas frequentes
O rosto com aspecto “derretido” pode melhorar sem preenchimento?
Sim.
Quando a principal alteração está relacionada à firmeza, sustentação ou qualidade dos tecidos, outras estratégias podem ser consideradas sem necessariamente aumentar o volume facial.
Botox levanta o rosto?
A toxina botulínica atua principalmente sobre a atividade muscular.
Em regiões específicas, modular músculos depressores pode produzir mudanças sutis no posicionamento e no contorno. Entretanto, ela não substitui tratamentos voltados à flacidez da pele ou à remodelação de colágeno.
É possível recuperar o contorno sem aumentar o rosto?
Dependendo da anatomia e do grau de envelhecimento, sim.
Essa é justamente uma das razões para avaliar separadamente firmeza, sustentação, musculatura e necessidade real de volume.
Quando a cirurgia deve ser considerada?
Quando existe excesso importante de pele ou deslocamento avançado dos tecidos e a expectativa do paciente ultrapassa aquilo que abordagens não cirúrgicas conseguem oferecer de maneira realista.
Mitos e verdades
“Se o rosto caiu, falta preenchimento.”Mito.
“O envelhecimento acontece em várias camadas.”Verdade.
“Todo rosto envelhece da mesma maneira.”Mito.
“Um resultado natural começa pelo diagnóstico.”Verdade.
Em resumo
Quando o rosto começa a parecer que está “derretendo”, a resposta não deve ser simplesmente acrescentar volume ou escolher o aparelho mais potente.
Primeiro precisamos entender o que mudou naquele rosto.
Houve perda de firmeza? Alteração dos compartimentos de gordura? Mudança no suporte? Participação muscular? Uma combinação desses fatores?
Essa diferença entre tratar uma queixa e tratar sua causa é um dos princípios mais importantes do rejuvenescimento facial contemporâneo.
O objetivo não é construir outro rosto.
É preservar estrutura, proporção e identidade enquanto tratamos aquilo que realmente mudou.
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Este conteúdo possui caráter educativo e não substitui uma avaliação médica individualizada.
Referências científicas
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Sobre a autora
Dra. Valéria Marcondes
Médica dermatologista e fundadora da Clínica Valéria Marcondes
Graduada pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, com residência no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. É membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da American Academy of Dermatology, diretora científica da Sociedade Brasileira de Medicina Estética e membro fundadora da Sociedade de Laser de São Paulo.




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